Património do Concelho | Santa Cruz

Câmara Municipal de Santa Cruz

O edifício dos Paços do Concelho foi adquirido por João de Freitas, em 1516, com o intuito de ali instalar a Câmara de Santa Cruz, após a elevação de vila a Concelho, que ocorreu em 1515. Estima-se que este edifício tenha sido construído nas primeiras décadas do século XVI e, posteriormente, no século XX, sofreu uma ampliação e reabilitação com o projeto da autoria do arquiteto Luís da Conceição Teixeira, que se baseou nas características comuns aos edifícios públicos do Estado Novo.

No exterior, sobressai a porta em arco quebrado de dois colunelos e de duas arquivoltas, rematados pelas armas reais de D. Manuel. É de destacar, também, as janelas de estilo Manuelino de apenas um colunelo e uma arquivolta.

No interior, é possível contemplar uma pintura alusiva às atividades económicas e culturais do Concelho, da autoria de Teresa Brazão, o teto em masseira do Salão Nobre e a heráldica régia manuelina, que outrora estava colocada no centro do teto, e que, atualmente, se encontra numa parede lateral. Este edifício é o único com estatuto de Monumento Nacional existente no Município, pelo facto de ser a única Câmara, na Ilha da Madeira, que manteve a sua sede desde o século XVI, e, também, por ser um dos raros exemplos a nível nacional.

Morada | Praça Dr. João Abel de Freitas - Santa Cruz

Coordenadas GPS | 32°41'17.0"N 16°47'32.1"W

Casa da Cultura de Santa Cruz | Quinta do Revoredo

Este imóvel foi mandado construir, em 1840, pelo empreendedor inglês e comerciante de vinho Madeira, John Blandy, com o intuito de ser a residência de verão da sua família. Posteriormente, acabou por aqui fixar residência o seu neto Charles Frederick Raleigh Blandy, engenheiro naval, natural do Funchal, que nunca escondeu o carinho especial que tinha por Santa Cruz, tendo inclusivamente ajudado muitas famílias locais e, em 1903, oferecido um relógio à Câmara Municipal, que foi colocado na torre da Igreja Matriz, onde, ainda hoje, se encontra.

Numa fase avançada da sua vida, no final do século XIX, dedicou-se à pintura de aguarelas de paisagens naturais da Ilha da Madeira. Pinturas essas que se encontram, atualmente, no Museu de História Natural do Funchal.

O edifício, construído em alvenaria de pedra rebocada, é constituído por dois pisos e uma pequena torre avista-navios. Todos os vãos exibem simples molduras em cantaria cinzenta com tapa-sóis madeirenses e vidraças de guilhotina. O chão e a escada interior são compostos por madeira de casquinha e os tetos por desenhos em estuque, típicos da época. Uma das salas possui uma lareira ao gosto inglês e o jardim é calcetado em calçada madeirense de calhau rolado, albergando centenárias árvores indígenas, como é o caso dos dragoeiros (Dracaena draco), dos tis (Ocotea foetens) e de outras árvores exóticas de grande valor botânico e ornamental. 

Neste mesmo espaço, encontram-se, também, alguns despojos do antigo Convento de Nossa Senhora da Piedade, assim como duas esculturas, a Florista, em bronze, do escultor peruano Mário Agostinelli, de 1972, e a escultura em duas tonalidades de cantaria, do escultor António Rodrigues, de 1997.

A Quinta do Revoredo foi adquirida pela edilidade em 1988 e, depois de obras de reabilitação e remodelação com vista à sua adaptação para Casa da Cultura, foi inaugurada a 6 de Dezembro de 1993.

O seu nome “Revoredo” era uma clara alusão à existência de árvores de grande porte nos seus jardins.

[A Casa da Cultura de Santa Cruz | Quinta do Revoredo encontra-se encerrada ao público para realização de obras de reabilitação, entre outubro de 2019 e maio de 2020]

Morada | Rua Bela de São José - Santa Cruz

Coordenadas GPS | 32°41'17.7"N 16°47'20.3"W

Ilhas Desertas

A Reserva Natural das Ilhas Desertas localiza-se a sudeste da Ilha da Madeira e é constituída por três ilhas, Ilhéu Chão, Deserta Grande e Bugio. O ilhéu Chão é a ilha mais pequena deste agrupamento, enquanto que a Deserta Grande, tal como o nome indica, é a ilha mais extensa com cerca de 11700 metros de comprimento e 1900 metros de largura. O Bugio possui cerca de 7500 metros de comprimento, sendo uma ilha caracterizada pelo seu formato em arco.

Para além deste conjunto de ilhas de origem vulcânica, esta reserva natural engloba um conjunto de ilhéus adjacentes e toda uma área marinha envolvente. O facto de existir um pequeno agrupado de lobos-marinhos nas Ilhas Desertas, motivou a que, em 1990, este conjunto de ilhas fosse legalmente protegido, criando-se uma Área de Proteção Especial. Nos anos 80, existiam apenas 6 a 8 animais desta espécie. Atualmente, o número tem vindo a aumentar e estima-se existir perto de 40 lobos-marinhos. Ao contrário do que tem vindo a acontecer nas restantes áreas de distribuição de lobos-marinhos, apenas na Reserva Natural das Ilhas Desertas verifica-se o crescimento desta espécie em vias de extinção.

Apesar de, administrativamente, pertencerem ao Concelho de Santa Cruz, o Parque Natural da Madeira é a entidade responsável pela sua gestão. Estas ilhas possuem uma vigilância permanente, prestada pelo Corpo de Vigilantes da Natureza.

A Reserva Natural das Ilhas Desertas possui, ainda, diversas espécies raras e endémicas, que podem ser visitadas através das embarcações turísticas que fornecem o transporte marítimo entre a Ilha da Madeira (partida do Funchal) e as Ilhas Desertas, e uma visita guiada nesta Reserva Natural.

Morada | Ilhas Desertas, Madeira

Coordenadas GPS | 32°31'19.7"N 16°30'46.3"W

Igreja de Santo António da Serra

Esta igreja, ao gosto do maneirismo tardio já de meados do séc. XIX, de uma só nave, apresenta na fachada um portal de cantaria cinzenta regional, em arco de volta perfeita, encimado por janela retangular.

A capela-mor foi construída a expensas do Erário Público, sendo o corpo da igreja erguido graças ao valioso contributo do cônsul americano João Howard March.

A nave da igreja apresenta um lambril de azulejos, de gramática neo-rococó, que narram a vida do santo do orago. Na capela-mor podemos observar um retábulo, de arquitetura falsa, neo-barroco, em azulejos azuis e brancos, com apontamentos a amarelo, tudo executado no ano 2000.

Morada | Largo de Santo António da Serra - Santo António da Serra

Coordenadas GPS | 32°43'29.0"N 16°49'10.7"W

Igreja do Salvador | Matriz de Santa Cruz

A igreja Matriz de Santa Cruz é dedicada a São Salvador e estima-se que a sua edificação remonte a 1533. Construída à semelhança da Sé Catedral do Funchal, é uma igreja de estilo manuelino/tardo-gótico com planta de três naves. O seu projeto é atribuído ao arquiteto Diogo Boitaca, autor de vários monumentos emblemáticos em Portugal, como a Torre de Belém, Mosteiro dos Jerónimos e as “capelas imperfeitas” do Mosteiro da Batalha. A igreja do Salvador foi mandada erguer por D. Manuel, a pedido de João de Freitas, que se deparava com o facto de a população local estar a aumentar e a igreja existente já não conseguir abrigar todos os devotos.

A fachada principal possui um portal axial de arco quebrado de três colunelos e três arquivoltas, encimado por uma rosácea dos anos 60, do século XX. Esta fachada, terminada em empena de cornija côncava com esferas, é rematada por cunhais em cantaria e apresenta dois pseudocontrafortes, vazados com arcos quebrados, que se estima que datem do século XVIII. A porta lateral é, também, ogival, com capitéis vegetalistas, viradas para o terreiro de calçada madeirense do adro. O interior da igreja, como referido anteriormente, apresenta três naves de cinco tramos, iluminadas por frestas de arcos quebrados em cantaria regional, com pilares hexagonais de capitéis quadrangulares, sendo os arcos extremos apoiados em mísulas torsas. O púlpito encontra-se numa coluna, possuindo baldaquino em madeira e escadas em cantaria regional.

Na nave lateral da igreja encontra-se o túmulo da família Spínola e a capela de São Tiago, atualmente denominada por Capela do Santíssimo Sacramento, que se rasga em arco pleno, com colunelos de capitéis vegetalistas e rematada pelas armas da família Morais. Na nave lateral do lado da Epístola, encontra-se o altar de Nossa Senhora da Conceição, em talha azul, branca e dourada, assim como a Capela das Almas, rasgada em arco de volta perfeita, do século XVII.

Na capela-mor encontra-se a lápide tumular de João de Freitas, de gosto flamengo, com cercadura em bronze. Na parede norte, encontra-se um portal quebrado para o acesso à sacristia, geminado de arcos polilobados com óculo no tímpano, descoberto nos anos 60, do século XX. Ainda na capela-mor, para além das pinturas renascentistas, italianizantes de oficina portuguesa, observa-se o retábulo-mor tardo-barroco de talha dourada e branca com camarim central.

Morada | Rua Irmã Wilson nº 1  - Santa Cruz

Coordenadas GPS | 32°41'17.9"N 16°47'33.5"W

Igreja Matriz do Caniço

A igreja Matriz do Caniço foi construída no século XVIII, após uma acesa discussão sobre de que lado da Ribeira ficaria esta igreja. Do lado de Machico, havia a igreja dedicada a Santo Antão, e, do lado Funchal, outra igreja, dedicada ao Espírito Santo. Como os devotos não conseguiam chegar a um acordo sobre de que lado se situaria a nova igreja, o padre José Lomelino Barreto resolveu a questão e ofereceu o terreno do lado do Funchal, onde ficou estipulado que ali se mandaria construir a futura igreja Matriz do Caniço, dedicada ao Santo Antão.

Este templo, formado por uma planta retangular de nave única, foi inaugurado em 1783 e apresenta a transição entre o Barroco e o Rococó. A fachada principal, de linguagem maneirista e contida, é delimitada por pilastras, rasgando-se um portal de cantaria com arco pleno encimado por inscrição alusiva à construção e sagração do templo em cantaria do Porto Santo. A nave é iluminada por três janelões, sendo o central composto pelas armas reais, também em cantaria do Porto Santo.

No interior da igreja destacam-se os retábulos laterais de talha branca e dourada, de estilo rococó, e os retábulos colaterais da autoria do pintor madeirense Nicolau Ferreira.

Na capela-mor, com camarim fundo e pares de colunas torsas, articula-se a talha que decora as paredes laterais, coberta por uma abóbada de berço com apontamentos de estuque pintados. A sacristia alberga uma tábua de Santo Antão, do século XVI, que, provavelmente, veio da anterior capela arruinada. Uma interessante tela da Imaculada Conceição com os doadores (1646), da autoria do pintor Martim Conrado, proveniente da Capela da Salvação, no Caniço, encontra-se hoje na parede da Capela-mor, do lado da epístola.

O adro é um espaço muito característico pelo facto de ser constituído por calçada tradicional madeirense, em calhau rolado, que é composta por diferentes desenhos. A pedra branca é proveniente da ilha do Porto Santo.

Morada | Rua João Paulo II nº 12 - Caniço

Coordenadas GPS | 32°39'07.1"N 16°50'24.4"W

Mercado Municipal de Santa Cruz

Erguido no antigo mercado do peixe de São Pedro, o Mercado Municipal de Santa Cruz foi inaugurado em 1962, sendo projetado pelo arquiteto Luís Conceição Teixeira, que se baseou num estilo arquitetónico modernista, sendo o único edifício que apresenta este tipo de arquitetura no concelho. Este projeto de planta retangular, constituído por quatro entradas, possui uma cobertura composta por laje de betão com inclinação invertida, criando o formato de asas de uma borboleta, de influência do modernismo brasileiro. Na entrada principal, a norte, encontram-se dois painéis cerâmicos, criados pelo prestigiado artista António Aragão, que procuram retratar duas atividades muito típicas da região: a pesca e a agricultura. Trata-se de uma composição modernista, com estilização e geometrização dos corpos e da paisagem, que enaltece a realidade, não pela cópia, mas pela livre recriação.

O interior do mercado é composto por diferentes espaços de venda de produtos agrícolas, pela praça do peixe e por pequenas lojas de artigos regionais. Nas paredes interiores encontram-se dois painéis pictóricos dos anos oitenta, da autoria da pintora Teresa Brazão, que representam cenas do mercado e episódios de atividades económicas e culturais da ilha. Um dos painéis foi objeto de reabilitação e reinterpretação em 2017, pela mão da artista plástica Cristiana de Sousa.

Morada | Rua Da Praia - Santa Cruz

Coordenadas GPS | 32°41'16.2"N 16°47'26.6"W

Santa Casa da Misericórdia

A Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz foi erguida em 1530. No entanto, da sua construção primitiva, apenas deve restar o portal em arco quebrado de um só colunelo e de uma só arquivolta, em cantaria regional da Capela da Visitação de Santa Isabel. Do lado nascente, um teto simples de estilo mudéjar ou já provável cópia revivalista e, ainda, alguns elementos, como lintéis manuelinos reutilizados, recentemente, postos a descoberto. Este edifício sofreu, ao longo dos tempos, várias obras, possuindo, atualmente, características do século XVII e XVIII, numa linguagem maneirista (Estilo Chão), onde se destacam altas janelas com varandim à face, em ferro forjado do século XIX, e duas interessantes portas com ombreiras apilastradas articuladas com as janelas, onde a cornija em ressalto corresponde às varandas em sacada com guardas de prumos de ferro.    A capela foi fundada por André Gonçalves, mercador e residente de Santa Cruz, em 1562. A atual capela de Santa Isabel, já de finais do século XVIII, apresenta o chão com lajes em cantaria rija, um arco de volta perfeita marmoreado e o altar-mor de retábulo tardo-barroco, em talha dourada e em escaiola, com uma tela central de 1790, alusiva à Visitação do pintor madeirense Nicolau Ferreira.

Para além da capela, este edifício albergava enfermarias, uma farmácia (a única existente fora do Funchal), quartos de desinfeção e uma casa mortuária, o que fazia do hospital da Misericórdia, um dos mais importantes hospitais situados fora do Funchal, naquela época. No final do século XIX, a britânica Mary Jane Wilson reabilitou a antiga Misericórdia, que na altura estava já em ruínas, votada ao abandono e em avançado estado de degradação.

No início do ano 2000, o edifício foi alvo de um projeto global de reabilitação e ampliação da autoria do arquiteto Victor Mestre, passando a albergar um Centro de Dia e um Lar da Terceira Idade, do lado poente, e, do lado nascente, a Casa Paroquial.

Morada | Rua Irmã Wilson - Santa Cruz

Coordenadas GPS | 32°41'18.1"N 16°47'34.2"W

Tribunal Municipal de Santa Cruz

O tribunal de Santa Cruz foi inaugurado em 1932 com o objetivo de substituir a antiga Câmara Municipal de Santa Cruz, que, no início do século XX, tinha sido alvo de um grave incêndio, onde se perderam, inclusivamente, muitos documentos de extrema importância. No entanto, em 1978, o edifício dos Paços do Concelho foi reabilitado e os serviços camarários voltaram ao edifício original. Atualmente, o edifício do Tribunal Municipal de Santa Cruz alberga, também, o comando da Polícia de Segurança Pública, a Junta de Freguesia de Santa Cruz e a Divisão de Águas da Câmara Municipal.

De linguagem eclética, este edifício segue um estilo neoclássico, presente pela simetria, pelos vãos ritmados e pelas guardas das varandas com balaústres. A entrada do edifício é feita através de uma aparatosa escada cenográfica, que dá acesso à entrada principal do edifício, composta por um portal estriado, rematado por um frontão triangular. As janelas maneiristas possuem molduras de argamassa em ressalto, de altos lintéis percorridos por filetes intermédios relevados e encimados por cornijas. O edifício é rodeado por deslumbrantes jardins, compostos por espécies arbóreas exóticas e caminhos revestidos pela tradicional calçada madeirense.

Morada | Rua Bela de São José - Santa Cruz

Coordenadas GPS | 32°41'19.5"N 16°47'25.4"W

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© 2020 by CMSC | Recolha e edição de textos: Gabinete de Turismo | Tradução: Leonilde Olim | Fotografias: CMSC (direitos reservados)