Etnografia | Santa Cruz

Bonecas de Massa

As famosas bonecas de massa são originárias de Santa Cruz, mais precisamente da freguesia do Caniço. Este trabalho artesanal é feito à base de farinha, água, fermento e corante de ovo de forma a dar a cor amarelada, e era vulgarmente encontrado nos arraiais.

Antigamente, as mulheres com menos possibilidades económicas, ao confecionarem pão aproveitavam as sobras para criar bonecas de massa que serviam de brinquedo às crianças da época. Enquanto entretinham as crianças, as bonecas de massa funcionavam como um excelente divertimento, pois mesmo que fossem ingeridas pelos mais pequenos não seriam prejudiciais à sua saúde.

Nos dias de hoje, as bonecas de massa são decoradas com fitas coloridas, imitando roupa, e sementes para criar os olhos e torná-las mais bonitas e realistas.

Folclore da Camacha

Em sequência do aparecimento de vários grupos folclóricos na Ilha da Madeira, o Grupo de Folclore da Casa do Povo da Camacha foi fundado a 1 de novembro de 1948. Ao longo dos tempos, o grupo tem vindo a albergar um conjunto de bailes e canções que fazem deste grupo um dos mais conhecidos e mais apreciados da ilha da Madeira, tendo sido distinguido com medalha de prata e diploma de mérito pelo Governo Regional, em 1981. Para além destas atividades, o grupo procura ainda manter vivas as tradições madeirenses, participando noutras atividades tais como: o cantar dos reis, os jogos tradicionais madeirenses, e a participação nas tradicionais lapinhas.

Para além da participação deste grupo em festas populares e na animação turística da ilha, o Grupo Folclórico da Camacha já participou em vários festivais espalhados pelos quatro cantos do mundo, em locais como a África do Sul, Estados Unidos da América, Venezuela, Brasil e Austrália.

O traje feminino é composto por uma camisa de linho, colete vermelho e capa curta sobre o ombro da mesma cor, saia de fundo vermelho com cores sobrepostas na vertical, a típica carapuça em azul-escuro, e a bota chã. O traje masculino é um pouco mais simples, composto por camisa e calções brancos, ambos em linho, uma faixa na cintura, a carapuça azul e a bota chã.

Este Grupo Folclórico é constituído por cerca de 35 elementos, que utilizam diversos instrumentos musicais, como a viola de arame, o rajão e a braguinha por fazerem parte da tradição madeirense, e ainda os ferrinhos, a harmónica e o bombo, entre outros instrumentos.

O Concelho de Santa Cruz é, na Madeira, aquele onde existem mais grupos folclóricos, contabilizando-se um total de nove: Grupo de Romarias Antigas do Rochão - Camacha, Grupo Folclórico do Rochão, Grupo Folclórico Infantil da Camacha, Grupo Folclórico Juvenil da Camacha, Grupo Folclórico Romarias e Tradições da Camacha, TRAGA - Associação de Folclore Tradições de Gaula, Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, Grupo de Folclore da Casa do Povo de Santa Cruz, Grupo de Folclore da Casa do Povo de Gaula.

Obra de Vimes

Estima-se que a obra de vimes terá sido desenvolvida na ilha da Madeira em meados do século XIX. Existem várias versões quanto ao aparecimento da obra do vime na região, enquanto uns defendem que o vime chegou à ilha da Madeira por influência dos ingleses, que escolhiam predominantemente a zona da Camacha e do Santo da Serra para residir e ali implementaram este tipo de artesanato, outros defendem que a obra do vime foi introduzida na ilha da Madeira através de um Camacheiro que foi preso no norte de Portugal, e quando voltou à sua terra natal introduziu esta arte na localidade.

Em finais do século XIX e inícios do século XX, a obra de vimes assumiu um papel muito importante na economia da região, sendo o segundo produto mais exportado para diversos destinos, tais como: Estados Unidos da América, África do Sul e Itália.

O vime provém de uma planta denominada por vimeiro, é plantado e colhido dois a três anos depois entre os meses de fevereiro e abril. Existem vários processos de transformação até que o vime possa ser utilizado nesta arte. Caso o objetivo seja obter o vime na cor branca, este é colocado a secar entre 2 a 3 meses, é descascado e está pronto a ser utilizado, caso queiramos obter na cor preta, o vime é colocado a secar ao sol, com a casca, no caso da cor castanha (mais usual) o vime é cozido em caldeirões de grandes dimensões entre 4 a 5 horas e posteriormente descascado e separado por tamanhos. Para que esteja pronto a ser utilizado, é necessário transformar o vime em liaça trabalhável, um processo passível de ver observado no piso inferior da loja de vimes do Café Relógio, localizado bem no centro da Camacha. Nesta pequena fábrica podemos ainda assistir à produção de várias peças em vime.

Pão de Casa

O pão está presente na mesa das famílias madeirenses desde muito cedo, estima-se que no século XV era já considerado um elemento fundamental na alimentação da população. O povo madeirense era um povo muito ligado à agricultura, à plantação de cereais não só para consumo próprio, como também para venda. Depois de moídos, os cereais eram utilizados na alimentação, essencialmente para fazer pão. Com o passar do tempo as receitas foram-se modificando e passou-se a incluir a batata doce no fazer do pão.
Dado o aumento da produção de cereais criaram-se ainda os moinhos para que facilitassem o moer dos cereais que após um processo de transformação estariam finalmente prontos a ser utilizados na criação do pão. Os moinhos normalmente eram propriedade das famílias mais abastadas, os senhorios, e para poder utiliza-los o povo dava em troca produtos da terra, ou parte dos cereais que iriam moer, para assim poderem usufruir do moinho.

Gaula é uma freguesia que desde muito cedo esteve muito ligada á agricultura, como tal o cultivo dos cereais, e posteriormente a sua utilização no fazer do pão era uma constante nesta freguesia, tornando o pão de casa de Gaula muito conhecido.

Sidra de maçã

A freguesia é de Santo António da Serra é especialmente conhecida pela sua produção de pêros, em que grande parte desta produção é utilizada no fabrico da Sidra, uma bebida alcoólica produzida á base desta fruta, que acabou por tornar-se um símbolo do concelho de Santa Cruz. Dita a história que o facto de a freguesia ser composta por muitas quintas, fez com que atraísse muitos ingleses que acabavam por residirem neste local, trazendo consigo algumas especialidades, como era o caso da sidra. Assim, provavelmente os ingleses introduziram o cultivo de pêros, sendo a Madeira a única região do país a utilizar pêros para transformá-los em sidra. A produção da Sidra segue um método artesanal, os pêros são colocados em grandes recipientes de madeira, e posteriormente esmagados por um pisão.

Antigamente os habitantes das zonas baixas de Santa Cruz e Machico subiam até ao Santo da Serra e trocavam o pêro, que era armazenado em arcas ou caixas de madeira, ou simplesmente eram estendidos no sótão da casa ou guardados debaixo da cama, eram trocados por outros bens, como o peixe.

Atualmente, todos os anos celebra-se a Amostra Regional da Sidra, com o objetivo de manter esta tradição centenária e homenagear os agricultores que cultivam este produto.

Hoje em dia ainda existem pequenos estabelecimentos, também conhecidos por “vendas” que comercializam a famosa sidra no Santo da Serra. Junto ao Hotel Enotel Golf Santo da Serra permanece o mais antigo estabelecimento que comercializa Sidra, datando de 1920.

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© 2020 by CMSC | Recolha e edição de textos: Gabinete de Turismo | Tradução: Leonilde Olim | Fotografias: CMSC (direitos reservados)